7.2.11

Especialistas afirmam que faltam esclarecimentos sobre Belo Monte

UnB Agência

SUSTENTABILIDADE - 07/02/2011

Especialistas afirmam que faltam esclarecimentos sobre Belo Monte

Informações sobre a construção são escassas e população atingida não sabe dos riscos que corre caso a hidrelétrica saia do papel


Thais Antonio - Da Secretaria de Comunicação da UnB

As discussões sobre a questão indígena e a hidrelétrica de Belo Monte no Beijódromo foi marcada pelo consenso de que o andamento do projeto não é democrático e de que falta informação sobre o que acontecerá, de fato, com a realização da obra. A subprocuradora-geral da República, Deborah Duprat, afirmou que as quatro audiências públicas que trataram do caso não apresentaram estudos suficientes para esclarecer as consequências da construção das barragens no rio Xingu. “Se os povos indígenas não têm poder de veto, é preciso que, ao desqualificar seus argumentos contra Belo Monte, sejam apresentadas razões claras e fundamentadas”, diz.


Segundo nota da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), além de inundar uma área de mais de 600 km², a obra atrairá uma população estimada em 100 mil pessoas e causará o deslocamento de cerca de 40 mil. Na área, residem os povos indígenas Arara, Juruna, Xikrin e milhares de famílias ribeirinhas, indígenas e não-indígenas.

A subprocuradora defendeu que uma fonte de energia que cause tantos impactos não pode ser considerada limpa. “Como pode ser limpo um empreendimento que provoca degradação, fim de relações de compadrio e desestrutura das relações entre os atingidos?”, questionou. “Considerar essa energia limpa é desconsiderar os impactos da construção”.

Gustavo Lins Ribeiro, diretor do Instituto de Ciências Sociais da UnB e membro da ABA, destacou a prostituição que deve ocorrer a partir da chegada dos funcionários da obra e possíveis ataques da massa de homens às mulheres da região. O professor chamou a atenção para as cifras bilionárias do empreendimento, que chamou de “Belo Monstro”. “O que está sendo acobertado sob o nome de desenvolvimento é a repartição de muito poder, envolvendo muito dinheiro, cerca de 20 a 30 bilhões de reais”, afirma. “Belo Monte é um desastre ambiental e social anunciado”.

FUNAI – Durante a exposição dos palestrantes, a plateia gritou palavras de ordem contra o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, que não esteve presente no seminário. “Vamos fazer ouvir nossas vozes”, disse Carlos Pankararu, indígena de Pernambuco. “O presidente da Funai é contra a própria Funai”. Pankararu convocou os presentes para montar um novo acampamento na Esplanada dos Ministérios, como o que ocorreu em 2010 pela revogação do Decreto Presidencial 7.056/09 e pela destituição de Meira do cargo.

Além disso, cerca de 200 manifestantes contra a usina de Belo Monte se reunirão na Praça dos Três Poderes às 9h da terça-feira, 8 de fevereiro. A ideia é entregar a um representante da Secretaria Geral da Presidência da República um abaixo-assinado digital com 463 mil assinaturas coletadas virtualmente pelo site da organização não-governamental Avaaz junto com uma carta da Aliança dos Rios da Amazônia. “A carta fala da nossa posição contrária ao empreendimento e conta que cientistas mostraram a inviabilidade da construção”, explica Antônia Melo, presidente do Movimento Xingu Vivo. “Se o governo teimar, vamos continuar na luta. Se cair uma gota de sangue, o Governo Federal é o responsável”, afirma.

Confira aqui reportagem sobre a primeira parte do seminário.

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.

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