UnB Agência
SUSTENTABILIDADE - 07/02/2011
Especialistas afirmam que faltam esclarecimentos sobre Belo MonteInformações sobre a construção são escassas e população atingida não sabe dos riscos que corre caso a hidrelétrica saia do papel
Thais Antonio - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Segundo nota da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), além de inundar uma área de mais de 600 km², a obra atrairá uma população estimada em 100 mil pessoas e causará o deslocamento de cerca de 40 mil. Na área, residem os povos indígenas Arara, Juruna, Xikrin e milhares de famílias ribeirinhas, indígenas e não-indígenas.
A subprocuradora defendeu que uma fonte de energia que cause tantos impactos não pode ser considerada limpa. “Como pode ser limpo um empreendimento que provoca degradação, fim de relações de compadrio e desestrutura das relações entre os atingidos?”, questionou. “Considerar essa energia limpa é desconsiderar os impactos da construção”.
Gustavo Lins Ribeiro, diretor do Instituto de Ciências Sociais da UnB e membro da ABA, destacou a prostituição que deve ocorrer a partir da chegada dos funcionários da obra e possíveis ataques da massa de homens às mulheres da região. O professor chamou a atenção para as cifras bilionárias do empreendimento, que chamou de “Belo Monstro”. “O que está sendo acobertado sob o nome de desenvolvimento é a repartição de muito poder, envolvendo muito dinheiro, cerca de 20 a 30 bilhões de reais”, afirma. “Belo Monte é um desastre ambiental e social anunciado”.
FUNAI – Durante a exposição dos palestrantes, a plateia gritou palavras de ordem contra o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, que não esteve presente no seminário. “Vamos fazer ouvir nossas vozes”, disse Carlos Pankararu, indígena de Pernambuco. “O presidente da Funai é contra a própria Funai”. Pankararu convocou os presentes para montar um novo acampamento na Esplanada dos Ministérios, como o que ocorreu em 2010 pela revogação do Decreto Presidencial 7.056/09 e pela destituição de Meira do cargo.
Além disso, cerca de 200 manifestantes contra a usina de Belo Monte se reunirão na Praça dos Três Poderes às 9h da terça-feira, 8 de fevereiro. A ideia é entregar a um representante da Secretaria Geral da Presidência da República um abaixo-assinado digital com 463 mil assinaturas coletadas virtualmente pelo site da organização não-governamental Avaaz junto com uma carta da Aliança dos Rios da Amazônia. “A carta fala da nossa posição contrária ao empreendimento e conta que cientistas mostraram a inviabilidade da construção”, explica Antônia Melo, presidente do Movimento Xingu Vivo. “Se o governo teimar, vamos continuar na luta. Se cair uma gota de sangue, o Governo Federal é o responsável”, afirma.
Confira aqui reportagem sobre a primeira parte do seminário.
Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.
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